poder
e política

23|nov|21:31

ALMA DE BOTEQUIM

O botequim é um templo. Pode sê-lo, também, estado de espírito. Os mais xexelentos então… Boteco é o reino onde os solitários se sentem comboiados de seus copos. Cismando. Refletindo. Arrazoando. Muitos, ainda que não desnudos, lembram O Pensador, do escultor parisiense Auguste Rodin.  Boteco é o habitat de confrades de copos ou tão somente o lugar de prosear com um amigo. Aliás, nada mais perfeito do que uma amizade de botequim. Os amigos não se visitam nas respectivas casas. Não tomam grana emprestada e não pedem para subscrever promissória.

No boteco fala-se de mulher – quase nunca da nossa –, e de política, música e futebol. Mas não vale debater de modo tenso. É que não se vai ao botequim para esquentar a cachola. Camaradas de boteco são como namorados recentes: um quer acarinhar o outro e não divergem nunca. O botequim é um lugar sagrado. Numa mesma prosa, um companheiro de ensina as saídas para os problemas materiais, um outro traz as últimas novidades para resolver as questões no plano sentimental. Desconfio de que até sejam melhores do que o gerente do banco, a psicanalista e a cartomante. Repetidas vezes disse a minha analista: – Deixe seu consultório com mais cara de boteco. O botequim é mais democrático, os dois podem falar. Ela não me ouviu. No consultório freudiano ou junguiano do boteco, ora se é analista, ora se é paciente. Desisti.

Fui buscar os santos. E boteco que se preze tem de ter imagem de santo. São José de Ribamar, São Sebastião, São Jorge, São Lázaro, São Francisco de Assis, enfim. Mesa de botequim é quase um confessionário.  Boteco é um lugar sagrado. Recinto que inspira porres e papos, músicas e cantadas, frases e compassos, verdades e mentiras. Ainda que se sobreponha as mentiras sobre as verdades. Viva o botequim! Se Deus quiser e cachaça não faltar.

23|nov|21:28

UMA POLÍTICA CULTURAL PARA SÃO LUÍS

Desde os seus primeiros passos há uma década, o Fórum Municipal de Cultura de São Luís apreende a cultura como um dos campos sociais mais promissores para o fortalecimento do diálogo democrático, para articulação social e também como ambiente para o desenvolvimento local em sua dimensão cultural.  O desenvolvimento hoje passa também pelas ações culturais locais e o desenvolvimento cultural se impõe como cenário catalisador das relações sociais e econômicas na sociedade contemporânea. É amplamente possível desenvolver o aspecto cultural da cidade, trabalhando com a diversidade, a pluralidade e as características das culturas locais. Foi essa a trilha percorrida pelos fóruns culturais criados na capital até hoje. Nos últimos dez anos, criadores e estudantes, intelectuais e operários, produtores e técnicos, foram parceiros ativos na criação das condições para materialização de uma política pública de cultura para a cidade. Constituímos uma teia de criatividade e solidariedade legítima e forte nunca antes imaginada.

Reconhecemos que pela primeira vez na história, a cultura local começou a ser tratada em sua totalidade, com respeito, estímulo e recursos. Sem que houvesse a pretensão da tutela ou a negação do nosso protagonismo. Acreditamos testemunhar o esboço de uma política cultural verdadeira para o setor com a criação da Lei Municipal de Incentivo à Cultura e do Conselho Municipal de Cultura.  No entanto, num movimento inverso a esta possibilidade de crescimento, de desenvolvimento, o processo de construção de uma verdadeira política cultural tem sido continuamente minado pelas sucessivas mudanças de orientações políticas do Poder Executivo Municipal, com todas as suas conseqüências para o setor.  O que nós vimos foram o anúncio da ruptura na implementação de medidas estruturantes há muito reivindicadas pelos fóruns e conferências municipais de Cultura. O que sentimos foi o não reconhecimento de necessidades tão distintas, fundamentais e elementares para o setor cultural.

Nos últimos anos o Governo Municipal de São Luís trocou uma agenda cultural positiva e contemporânea; pela falta de investimento na implementação de uma política cultural integrada que passasse por medidas estruturantes e ameaça a continuidade do crescimento do tecido criativo e profissional local. Nos últimos anos a Prefeitura de São Luís somente criou as condições para a destruição total do que até agora tem sobrevivido.  A inexistência de uma postura de diálogo e a incapacidade de gerir o curto, o médio e o longo prazo, alicerçadas num desinvestimento e desconhecimento profundo da realidade cultural local conduziram a essa situação. É inaceitável que se “suspenda” a Lei Municipal de Incentivo à Cultura e o Conselho Municipal de Cultura sem que se defina o que se fará com eles. É intolerável a criação de Fundo Municipal de Cultura sem um debate com a sociedade. É inadmissível que o Governo Municipal se desresponsabilize dessas questões que são caras ao setor cultural ludovicense.  Por fim, a nossa principal preocupação: é que a Prefeitura de São Luís já anunciou a intenção de alterar a legislação vigente relativa ao sistema de financiamento e incentivo ao setor cultural, sem avaliar a aplicação do sistema anterior. É irrealista, dada a natural complexidade e morosidade destes processos que obrigam a consulta pública.  A manutenção desta pretensão levará mais uma vez à sua inviabilização e criará uma ruptura sem precedentes no já fragilizado tecido cultural local. A vida cultural ativa de um município, do estado e do país depende de uma visão estratégica para o setor que integre patrimônio e criação artística e que torne a arte e o fazer cultural presentes no cotidiano de toda a sociedade.  O que se deseja para São Luís que se aproxima dos seus 400 anos é que o Município cumpra o seu papel político pela defesa da pluralidade, pelo ordenamento, pela garantia dos direitos. Equilibrar essa hegemonia é tarefa reguladora. Tarefa de governo.

23|nov|21:25

FISCALIZAÇÃO DO PAC

Os municípios maranhenses de Anajatuba, Buriti e Tasso Fragoso serão fiscalizados pelo Controladoria Geral da União (CGU). Eles integram uma lista de 50 outras cidades que beneficiadas pelo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), que terão as obras fiscalizadas.

Nos municípios a serem fiscalizados estão sendo realizadas obras nas áreas de saneamento e de habitação. A escolha das cidades foram feitas por meio do sorteio.

23|nov|21:20

ELEIÇÕES MUNICIPAIS VERSUS 2010

A eleição de João Castelo (PSDB) revelou que quando se trata de voto, o futuro não depende do presente e tão pouco do passado. Afirmo isso, após observar que jornalistas e acadêmicos apressadamente,  olham os resultados das eleições municipais e prevêem o futuro.  Já li muito nos jornais e nos blogues alguns cenários para 2010.

Eleições municipais não são sinais do futuro político-eleitoral. Não existe relação nenhuma entre uma eleição e outra. Muito menos as municipais de agora, com as estaduais e a presidencial daqui há dois anos.  São risíveis a insistência de alguns em falar da influência das eleições municipais nas eleições para governador e presidente em 2010. As tentativas de nacionalização das eleições municipais resultaram num fracasso desastroso.

A tentativa de transformar as eleições dos tucanos João Castelo, em São Luís e Sebastião Madeira, em Imperatriz, num fato capaz de inquietar o projeto futuro do presidente Lula e de seus aliados, incluído aí o PMDB, soa ingênua.

A vitória  de Castelo e Madeira não determinam rigorosamente nada. Acham importante governador/ presidenciável José Serra (PSDB) ter o apoio de Castelo, por exemplo? Mas, se daqui a dois anos o prefeito da capital estiver mal avaliado, vai ser péssimo para o Serra subir no palanque com ele. Ou não?

23|nov|21:06

PT MAIS FORTE

O PT e o PMDB foram os maiores vencedores das eleições municipais 2008 no país. O PT teve crescimento absoluto no número de prefeituras de 36,10%. Já, o PMDB saiu das urnas 13,87% mais forte. Há quatro anos, o PT administrava 410 municípios. Agora, comandará 558 prefeituras.  O PMDB administrará 1.207 cidades, ante as 1.060 de 2004.
A base aliada do presidente Lula, que reúne 16 partidos (PT, PMDB, PSB, PDT, PC do B, PRB, PR, PP, PTB, PV, PSC, PMN, PHS, PT do B, PTC e PRTB) governará 93,5 milhões de eleitores em todo o país – tem em mãos o comando de 20 das 26 capitais brasileiras.
O DEM (ex-PFL) e o PSDB foram os partidos que mais perderam o comando municipal. O PSDB elegeu 788 candidatos. Em 2004, o número era 870.  A queda do DEM foi de 36,90% – apesar da conquista da administração de 501 cidades em 2008, há quatro anos comandou 794. A despeito do fraco desempenho o ex-PFL obteve êxito em São Paulo.
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